Nova regulamentação estabelece regras para o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais, reforça a transparência digital e busca combater a desinformação nas eleições de 2026.
A corrida eleitoral de 2026 já começou muito antes dos palanques. Com a propaganda eleitoral oficial prevista para ter início em 16 de agosto, partidos, pré-candidatos e equipes de comunicação estão se adaptando a um conjunto de novas regras que chegam com força para mudar o modo como a política acontece nas telas.
A principal novidade vem do Tribunal Superior Eleitoral, que aprovou a Resolução 23.755/26 para atualizar as normas que disciplinam a propaganda na internet. A mudança mais significativa diz respeito ao uso de inteligência artificial: conteúdos criados ou editados por IA precisam ser identificados de forma clara para o eleitor. Não se trata de proibir a tecnologia, mas de garantir rastreabilidade e transparência em cada peça que circula nas plataformas.
O que muda na prática para as campanhas
Para as equipes de comunicação política, a nova legislação amplia o escopo do que é analisado em uma campanha digital. Antes, a pergunta central era simples: a publicação configura propaganda eleitoral regular ou irregular? Agora, a análise avança para questões técnicas: quem produziu o conteúdo, como foi contratado o impulsionamento, quais plataformas foram usadas e se houve uso de IA na geração de imagens, vídeos ou textos.
Isso, na prática, cria o que especialistas chamam de compliance eleitoral tecnológico. Campanhas precisarão guardar arquivos originais, contratos com fornecedores, registros de aprovação de peças e declarações de uso de IA. O objetivo é simples: quem publica, impulsiona ou se beneficia de um conteúdo tecnológico precisa estar preparado para explicar e provar a origem daquilo que colocou em circulação.
O impulsionamento pago nas redes sociais e mecanismos de busca segue autorizado durante o período oficial, desde que devidamente identificado. Os anúncios pagos devem conter o rótulo “Propaganda Eleitoral” e os valores investidos precisam ser declarados à Justiça Eleitoral. Outro ponto que permanece proibido é o disparo em massa de mensagens por aplicativos de mensagens, prática que continua sendo alvo de fiscalização.
Redes sociais: cada plataforma com seu papel
A eleição de 2026 é a primeira em que o TikTok se consolida como um canal de peso para alcance orgânico entre eleitores jovens. Um único vídeo bem produzido pode chegar a milhões de pessoas sem investimento em mídia paga, mas a plataforma exige autenticidade. Conteúdo institucional e ensaiado perde força ali.
O Instagram e o Facebook funcionam mais como canais de aprofundamento: o eleitor que se interessou por um Reel tende a buscar mais informações sobre propostas e trajetória do candidato. Já o WhatsApp continua sendo a ferramenta de conversão por excelência, convertendo interessados em apoiadores ativos, desde que respeitados os limites contra disparos automatizados.
O YouTube, por sua vez, opera como repositório de credibilidade. Vídeos mais longos e detalhados têm vida útil maior e funcionam como referência para eleitores que querem conhecer melhor um candidato antes de tomar uma decisão. A combinação inteligente entre esses canais, e não a presença em todos ao mesmo tempo, é o que distingue campanhas eficientes das dispersas.
Segundo o Jornal do Brás, o investimento em mídia digital no Brasil chegou a R$ 42,7 bilhões em 2025, alta de 12,7% sobre o ano anterior, mas campanhas eleitorais descobriram que a panfletagem física e o contato territorial ainda têm papel relevante na comunicação política, especialmente em bairros e regiões de grande fluxo. A disputa pelo voto em 2026 acontece no celular, mas também nas ruas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
