Confiança de investidores aumenta em Santa Catarina

Apesar de queda no início da pandemia, o nível atual chega a inéditos 74%

Fiesc apresentou indicadores econômicos de 2020

Em um balanço dos indicadores econômicos de 2020, fica ainda mais claro o impacto que a pandemia teve no mundo. Projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicam que o PIB da maioria dos países ficará com saldo negativo, com o Brasil registrando a negativa de 5,8% e o mundo, como um todo, retração de 4,4%. Os índices de Santa Catarina, segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar, ainda enfrentam alguma dificuldade, mas são um pouco mais positivos. “Santa Catarina é um estado industrial e tem um desempenho significativo por conta da diversidade, do tipo de indústria, do empreendedorismo, que é próprio catarinense. Mas não é bom estar tão isolado, pois, como um estado produtor, dependemos do crescimento econômico de outros estados para que possamos adquirir produtos manufaturados”, avalia Aguiar.

Alguns dos setores do estado estão em franca recuperação, mas ainda não se recuperaram de todos os efeitos prejudiciais da pandemia. É o caso do têxtil e confecção e de gases e derivados. Já o setor de alimentos e bebidas foi o principal responsável pelo bom desempenho da indústria catarinense em 2020. O objetivo, segundo Aguiar, se não for possível obter um crescimento positivo em relação a 2019, é que as perdas sejam pequenas. A competitividade das exportações se manteve durante a pandemia, apesar de uma queda de 9,4% em comparação ao ano passado. Nas importações, a redução foi de 9,1%. Apesar disso, Aguiar chama a atenção para uma corrente de comércio internacional bastante significativa e a necessidade de fomentar cada vez mais a cultura exportadora do estado.

Em relação aos empregos, Santa Catarina teve, em abril, um saldo muito negativo em todos os setores. Já em maio houve uma pequena recuperação, com um saldo negativo que se tornou positivo em junho. A indústria foi a grande responsável pelo saldo positivo, com 33.613 empregos na indústria de transformação mais a construção civil. Nessa área, toda perda de emprego já foi recuperada. O saldo negativo fica com o comércio, com 9.321 empregos fechados. Ao todo, foram 35.210 vagas geradas ao longo de 2020. A diferença do desempenho catarinense em relação ao resto do país fica mais clara ao analisar o índice de atividade econômica, que o Brasil fecha com retração de 4,9% e Santa Catarina com queda de 3% até setembro.

Um índice bastante positivo para o estado é o de confiança da indústria. Apesar de queda no início da pandemia, o nível atual chega a inéditos 74%. “Reflete exatamente o espírito empreendedor do catarinense. Isso adianta uma garantia de que haverá um crescimento econômico e diminuição na taxa de desemprego”, analisa Aguiar. Dentre os maiores desafios para o alcance desse cenário estão a incerteza em relação a um programa de assistência aos prejudicados pela Covid, a demora para a chegada da vacina contra o coronavírus, a manutenção da baixa taxa de juros, reformas estruturantes – como a administrativa e a tributária, o reequilíbrio do fornecimento de insumo, investimento em infraestrutura e o controle do endividamento público.

“Por questão inercial, a própria economia pode deslanchar. Não é bom termos um auxílio emergencial a longo prazo, é preciso, em vez disso, gerar empregos e capacitar as pessoas. São essas as questões que o Brasil deve enfrentar para alcançar o desenvolvimento. Outra expectativa é a tão esperada vacina, para que possamos nos libertar dessa pandemia que, de uma maneira ou outra, prejudica muitos setores da economia”, opina Aguiar. Ao ser perguntado por AMANHÃ sobre uma possível administração independente das vacinas, o presidente da Fiesc ressalta a necessidade de liberação por parte do governo federal. Mas a experiência prévia do Serviço Social da Indústria (SESI) de Santa Catarina com a vacinação contra a gripe pode ser um pontapé importante, já que, ao serem definidas as diretrizes para as vacinas contra o coronavírus, a entidade pode fornecê-las para os industriais catarinenses.

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