Três pilares suportam a inovação em Israel

Tema foi alvo da palestra inaugural do Innovation Tech Knowledge 2020 Digital

“Israel tem uma forma diversa de atuar, pois toma o risco junto com o empreendedor”, destacou Alon Lavi, cônsul do país em São Paulo, na abertura do evento que prossegue até a próxima sexta-feira

Alon Lavi, cônsul de Israel em São Paulo, usou a figura de um triângulo para representar como a inovação é tratada no país que é convidado do Innovation Tech Knowledge 2020 Digital (ITK 2020). Lavi (na foto, abaixo à direita) abriu a série de palestras nesta segunda-feira (5) do evento on-line, promovido pela Associação Sul-Riograndense de Apoio ao Desenvolvimento de Software (Softsul). O ITK 2020 poderá ser conferido até a próxima sexta-feira em um ambiente totalmente virtual (acesse a programação completa aqui). 

A base de sustentação está nas universidades. Porém, diferentemente do Brasil, os professores são incentivados a se relacionarem com o mercado, inclusive inscrevendo patentes em seu próprio nome. Israel investe 3,5% do PIB em desenvolvimento tecnológico e também possui um diferencial nesse terreno. “Israel tem uma forma diversa de atuar, pois toma o risco junto com o empreendedor. Ou seja, na eventualidade de um insucesso do negócio, não é preciso que o empresário devolva o dinheiro ao governo. Esse fato evidencia que Israel acredita muito nas pessoas”, destacou Lavi. O terceiro ponto é que existe um sistema muito claro onde quer deseja empreender sabe por onde começar, por exemplo, sem o nó burocrático tão conhecido pelos brasileiros.

Em Israel, todos os jovens aos 18 anos devem servir nas Forças Armadas. Os homens passam ao menos três anos à disposição do Exército, Marinha e Aeronáutica, enquanto as mulheres pelo menos dois. A cibersegurança, aliás, é objeto de estudo no Exército. A Unidade 8200, que também cuida de inteligência, oferece treinamento de elite aos jovens que aprendem a lidar com as mais avançadas tecnologias. A unidade é reconhecida mundialmente por ser um nascedouro de startups. A estimativa é de que mais de mil empresas tenham sido criadas só por ex-integrantes da 8200. A lista inclui nomes de atuação global como Waze, Wix, Check Point (inventora do firewall) e a Mirabilis (criadora o ICQ). Lavi usou a palavra Chutzpah – que deriva da do hebraico ḥutspâ – para dar o tamanho da amplitude que os israelenses dão para a gestão da inovação. “Não temos medo de errar. O fato de errar e aprender com isso, na maioria das vezes, resulta em tecnologias novas. Essa cultura nos ajuda a preservar uma mentalidade que faz com que a inovação naturalmente floresça”, explicou. Hutspâ significa “insolência”, “atrevimento” ou “audácia”.

Lavi destacou a estreita relação entre Brasil e Israel, principalmente em iniciativas envolvendo aportes em inovação e tecnologia. Os dois países fizeram uma Chamada Pública conjunta. Lançada em parceria com a Autoridade Nacional de Inovação Tecnológica do Estado de Israel (IIA), a chamada teve por objetivo selecionar projetos bilaterais de pesquisa, desenvolvimento e inovação industrial desenvolvidos por empresas brasileiras em parceria com israelenses, no âmbito do acordo entre Finep e IIA. A Finep destinou até R$ 3,7 milhões em recursos de subvenção econômica, ou seja, não reembolsáveis, para as empresas brasileiras aprovadas, enquanto a IIA aportou até US$ 1 milhão pelo lado israelense, nas companhias selecionadas daquele país.

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