Chegou a hora de confiar no banco digital?

CEO do Revolut, fintech que se tornou referência mundial, garante que sim. E, como bom russo, não teme desafiar gigantes do setor

“Aqui, nossos concorrentes são apenas bancos. E, para ser honesto, eles não são tão sofisticados. Muitos têm mais de cem anos e, simplesmente, não possuem talento tecnológico suficiente”, alfinetou Storonsky na Web Summit

Há oito anos, enquanto viajava, Nikolay Storonsky sentiu que estava jogando dinheiro fora com tantas taxas de transações internacionais e comissões de câmbio. À época, o russo trabalhava como trader de derivativos na Credit Suisse. E esse sentimento de insatisfação foi o estalo para que abrisse um negócio que revolucionou o cenário das fintechs — não à toa, a empresa foi chamada de Revolut.

Criada em 2015, em Londres, a companhia totaliza hoje mais de 12 milhões de clientes pessoais e outros 500 mil corporativos. A presença ultrapassa 35 países espalhados pelo mundo, chegando este ano aos Estados Unidos e ao Japão. Já são mais de 100 milhões de transações por mês. Essa trajetória acelerada de expansão tornou a Revolut um dos bancos digitais mais reconhecidos do planeta.

Mas o que vem pela frente? E quais desafios seu fundador enxerga para os próximos anos? Um pouco da estratégia foi revelada no último dia da Web Summit. Objetivo nas palavras, modesto nos gestos e econômico nos sorrisos, o taciturno Nik — como é chamado — deixou algumas pistas. E qual a principal meta? Tornar-se o primeiro superapp financeiro.

Concorrência e regulação
De acordo com o criador do Revolut, existe menos competição no ocidente do que no oriente. “Aqui, nossos concorrentes são apenas bancos. E, para ser honesto, eles não são tão sofisticados. Muitos têm mais de cem anos e, simplesmente, não possuem talento tecnológico suficiente”, alfinetou Storonsky, citando positivamente como contraponto players como o chinês WeChat, que já dominou boa parte do mercado asiático.

Então, o perigo vem das gigantescas do universo tech? O russo também acredita que não. “As grandes companhias de tecnologia têm muito talento, recursos e capital, além de bilhões de consumidores para os quais podem vender serviços financeiros de forma cruzada. Eu acho que a única razão pela qual elas não entraram nesse mercado, ou entraram sem tanta velocidade, é porque não querem ser reguladas”. Em razão disso, segundo o empreendedor, costumam adotar um modelo de parceria com os bancos, o que garante mais rapidez no processo.

Comunicação gera confiança
E como conquistar a confiança dos consumidores quando se está posicionado ao lado de empresas sólidas, conhecidas e com longa trajetória? O desafio não é pequeno. “Se você olha para os consumidores gerais, mesmo no século 21, eles ainda preferem os serviços financeiros sendo prestados por banco”, afirmou, acrescentando que parte expressiva dos cidadãos têm predileção por deixar seu dinheiro em uma instituição financeira tradicional, e não num Google Wallet, por exemplo.

Questionado sobre como gerar confiança não possuindo presença física, Storonsky respondeu que os esforços se concentram num trabalho de relações públicas e marketing. “Tudo para assegurar que somos tão seguros e bem percebidos como os bancos”, revelou. Pode até parecer uma luta entre Davi e Golias, mas os gigantes do setor financeiro precisam ficar de olho. Ou, assim como na famosa passagem bíblica, o pequeno pode surpreender, dar o golpe certeiro e levar a melhor.

*O Grupo AMANHÃ está presente em mais uma edição da Web Summit. A curadoria da cobertura tem a assinatura da BriviaDez com geração de conteúdo da Critério — Resultado em Opinião Pública.

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