A Rocket Software anunciou, em 23 de setembro de 2026, a expansão do Rocket EVA, plataforma de inteligência artificial agentiva desenvolvida para mainframes e outros sistemas considerados críticos para as operações empresariais. A novidade inclui o Rocket PlanGuard, uma camada de controle criada para supervisionar a passagem entre o raciocínio do agente de IA e a execução de ações nos ambientes corporativos.
O movimento ocorre em uma área menos visível da transformação digital, mas essencial para setores que dependem de processamento contínuo e alto volume de transações. Mainframes permanecem presentes em operações de serviços financeiros, governo, seguros, varejo e telecomunicações, segmentos citados pela empresa entre os participantes de projetos-piloto com o Rocket EVA.
Segundo o anúncio oficial da Rocket Software, o EVA foi projetado para analisar dados operacionais, identificar problemas, recomendar ações e automatizar tarefas dentro dos limites definidos pelas políticas de cada organização. A proposta combina assistência baseada em linguagem natural com mecanismos destinados a preservar o controle das equipes responsáveis pela infraestrutura.
PlanGuard cria uma barreira antes da execução
O principal recurso apresentado na expansão é o Rocket PlanGuard. A tecnologia funciona como um ponto de controle entre a recomendação produzida pelo agente e a execução de uma ação no sistema. Para isso, incorpora políticas organizacionais e controles de identidade capazes de limitar o que cada agente pode fazer, de acordo com as permissões estabelecidas pela empresa.
Esse desenho busca enfrentar um dos desafios da adoção de agentes autônomos em ambientes críticos: permitir automação sem conceder autonomia irrestrita. Ao manter registros auditáveis das operações, o mecanismo também fornece rastreabilidade para que as organizações acompanhem as ações realizadas e verifiquem se elas respeitaram as regras configuradas.
A funcionalidade é especialmente relevante em sistemas nos quais uma alteração indevida pode afetar processos essenciais. A existência de uma camada intermediária não elimina a necessidade de supervisão humana ou de políticas bem definidas, mas estabelece uma estrutura para que recomendações e tarefas automatizadas sejam avaliadas de acordo com identidade, autorização e contexto operacional.
IA aplicada a dados e rotinas de ambientes z/OS
De acordo com a página oficial do Rocket EVA, a plataforma pode trabalhar com dados de ambientes z/OS, incluindo registros de desempenho, saídas de tarefas e filas de mensagens. Essas informações podem ser usadas para apoiar diagnósticos, localizar sinais de falha e ajudar profissionais de tecnologia a interpretar ocorrências em sistemas que muitas vezes exigem conhecimento especializado.
O EVA também oferece assistência para código, diagnóstico de falhas e integração com aplicações híbridas. Na prática, a proposta é aproximar dados e rotinas de mainframe das ferramentas de análise e interação usadas pelas equipes atuais, sem exigir que as operações existentes sejam interrompidas para a adoção da tecnologia.
Essa abordagem coloca a IA agentiva em uma posição diferente da ocupada por chatbots voltados ao uso cotidiano. Em vez de responder apenas a perguntas ou gerar conteúdo, o agente é apresentado como um componente capaz de observar informações operacionais, interpretar uma situação, sugerir uma providência e, quando autorizado, participar da execução de tarefas.
Projetos-piloto testam aplicações em setores críticos
A Rocket Software informou que organizações de serviços financeiros, governo, seguros, varejo e telecomunicações participam de projetos-piloto com o Rocket EVA. Conforme a empresa, os testes utilizam dados próprios dos clientes para validar casos de uso operacionais e acelerar a identificação de aplicações práticas para a tecnologia.
A participação desses setores ajuda a contextualizar o interesse por ferramentas de IA voltadas a sistemas legados. Empresas que dependem de mainframes precisam modernizar processos, mas também precisam preservar disponibilidade, segurança e previsibilidade. Por isso, a automação em tais ambientes tende a exigir controles diferentes dos adotados em ferramentas de produtividade ou aplicações experimentais.
Outro ponto envolvido é a disponibilidade de profissionais com experiência em tecnologias antigas. A Rocket Software apresenta o EVA como uma forma de reduzir a dependência de conhecimentos altamente especializados, oferecendo interação em linguagem natural e suporte à análise de dados. O resultado esperado, segundo a proposta da plataforma, é facilitar o trabalho das equipes sem substituir as regras que governam os sistemas críticos.
A expansão anunciada mostra como a discussão sobre inteligência artificial está avançando para a infraestrutura que sustenta operações empresariais de grande escala. No caso do Rocket EVA, o diferencial não está apenas na capacidade de recomendar ou automatizar tarefas, mas na tentativa de combinar agentes de IA com políticas de acesso, identidade e auditoria. Para organizações que operam mainframes, essa combinação pode ser determinante na avaliação de riscos e benefícios da automação.
