Um olhar para o futuro (próximo)

As pautas da Web Summit estarão presentes no dia a dia e serão transformadoras nos próximos anos

O Head of Project Management da BriviaDez conta neste artigo exclusivo algumas das revoluções apresentadas no maior evento de tecnologia do mundo

A Web Summit expôs tendências já conhecidas, porém com visões mais evoluídas. Pautas que nos fascinam e que revolucionarão o futuro do nosso planeta e que mudarão as nossas relações de confiabilidade e transparência estavam presentes no evento. Estamos falando de sustentabilidade e a visão da Airbus de transformar seus aviões com Hidrogênio, da NASA com seu olhar colaborativo de expansão pelo espaço, dos carros autônomos que trarão segurança e conforto, além da expansão de casos de uso de blockchain e sua inadiável qualidade de tornar acessível e descentralizada as informações. E, claro, da Mercedes Benz, que é mais que uma montadora. São projetos vivos, evoluídos e que começam a estar mais presentes como notícia no nosso dia a dia.

Sustentabilidade e a vergonha de voar
Os suecos criaram a expressão ‘flygskam’, que significa “vergonha de voar”. O ponto aqui é que os passageiros e clientes que não são coniventes com os meios de transporte que emitem gás carbônico começam a se posicionar com a negação do uso de aviões — afinal, 2% a 3% de toda emissão de CO2 no planeta vem da indústria aérea. A Airbus sabe disso e, além dos incentivos da própria União Europeia, a empresa está bem adiantada no movimento de troca de combustível de seus aviões comerciais. Agora, o foco é uso de hidrogênio.

Um combustível não poluente (a saída é vapor d’água) e um desejo de mudança de design de seus aviões. Com hidrogênio, existirá uma mudança natural no design dos aviões, pois os combustíveis deixam de ser armazenados nas asas, assim como necessitam de um espaço maior para armazenamento de todo mecanismo que o novo combustível exige. Existe um belo caminho ainda sobre legislação e infraestrutura que precisa evoluir em todo o ecossistema aéreo. A meta da Airbus é disponibilizar voos comerciais a partir de 2035. Até lá, a gente sonha com um planeta menos poluído.

PayPal e o posicionamento de cashless
O PayPal e seu CEO Dan Schulman estiveram presentes na Web Summit e abriram um pouco a visão da empresa. O PayPal por natureza sempre lidou com o princípio de cashless, ou seja, ausência de dinheiro físico/cash. Agora, em época de pandemia, o uso virtual de todo mecanismo de transferência de dinheiro pelo mundo facilitou a todos. No segundo trimestre de 2020, o volume líquido do PayPal foi de US$ 221,7 bilhões. A empresa tem um olhar de futuro para o conceito de super apps, como acontece no mercado asiático (principalmente na China). Os celulares concentram todo o ecossistema necessário de consumo dos usuários – e não apenas o armazenamento de dinheiro. Parece que o PayPal deseja evoluir para esse tipo de oferta.

A companhia fez, neste ano, o movimento estratégico de inserir criptomoedas no seu portfólio. Isso significa que os usuários poderão comprar Bitcoin, Ethereum, Litecoin e Bitcoin Cash direto pela plataforma do PayPal. Porém, ainda não é possível enviar crypto para outras carteiras diretamente e, sim, comprar, receber e armazenar como ativo apenas. Esse movimento abre um precedente valioso no universo de estudo de blockchain, criptoativos, carteiras, reserva de valor etc.

Muito mais que do que criptomoeda
O potencial da blockchain sempre excedeu, em muito, o caso de uso do mundo de criptomoedas. Nasceu, sim, com o Bitcoin em 2008/2009, mas abriu uma oportunidade enorme de revolução e possibilidades de armazenamento de informação, embasados nos alicerces de transparência, descentralização, segurança, consenso, acordos e consultas mais rápidas, entre outros. Diversos projetos estão surgindo, com novas iniciativas de contratos inteligentes e amarrações de negócio reais. Esse papo na Web Summit foi com Brian Behlendorf, diretor executivo da Hyperledger, na The Linux Foundation. Ramos como finanças, supply chain e mesmo governos se interessam pela evolução. Pensar que, no futuro, toda história de um cidadão poderá ser “contada” dentro de blockchain: desde informações de nascimento, parentesco, evolução acadêmica, números sociais, aquisição de imóveis, registros de casamento, currículo, conquistas… a lista é infinita.

O futuro é “tokenizar” tudo e tornar ativos digitais. Como transformar os valores e informações internas das empresas, de forma qualificada, transparente e segura? Tornar auditável sem a necessidade de terceiros no processo? Blockchain e o olhar para sistemas descentralizados, uso de contratos inteligentes e toda mecânica (complexa) de estudo e casos de uso estão no radar do mercado como processo evolutivo. Os primeiros movimentos com trabalhos de endomarketing começam a surgir.

A desejada segurança dos carros autônomos
A indústria automotiva está em um processo de grande transformação. Tecnologia conectiva, sistemas autônomos e novos modelos de negócios podem expandir o mercado em mais de US$ 1 trilhão na próxima década. Essas tecnologias prometem reduzir os acidentes de trânsito, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) lista como uma das 10 principais causas de morte em todo o mundo. A Mobileye, empresa do grupo Intel, deu show na Web Summit. Foco em carros autônomos, a empresa trouxe para o evento o quão avançada está no uso de carros autônomos comerciais.

O ciclo virtuoso de valor de tecnologia e negócios converge à medida que veículos autônomos expandem as possibilidades de casos de uso de mobilidade e transporte, fornecendo mais dados — que, por sua vez, alimentam percepções e melhorias impulsionadas por Inteligência Artificial (IA) e aprendizado profundo. O mercado de IA, câmeras, sensores e todo universo de software que regula esses carros está bem adiantado. Existe um ponto de atenção, também, sobre legislação quanto a esse tipo de transporte que precisa evoluir no mundo todo. A regulação é complexa. Como definir o limite entre imprudência e cuidado?

É preciso ser muito sofisticado nesse mercado quando se fala de segurança e cuidado aos passageiros. A tolerância ao erro é zero. Futuro com robotaxis/robodrivers e, com isso, a confiança em software do nosso lado, como passageiros e consumidores. Vale a consulta ao site da empresa, onde existe um vídeo demonstrativo sobre um trajeto realizado por um carro autônomo, respeitando, claro, todos os desafios da jornada.

Queremos Marte. Mas, antes, a Lua 
Palestra que foge de toda a realidade e do nosso dia a dia, mas que não é menos fascinante: voos espaciais. Kathryn Lueders (NASA), Rick Ambrose (Lockheed Martin Space), Neel V Patel (MIT Technology Review) participaram desta edição. Se com o projeto Apollo, em 1969, com a chegada à Lua, foi um marco importante em um cenário de Guerra Fria (e toda guerra política com a União Soviética para exposição de poder e conquista), agora, no momento que estamos vivendo, o olhar é sobre a sobrevivência da espécie humana. Ou seja, unir a humanidade e colaborar de forma assertiva para conquistar novos marcos no espaço e, com isso, criar alternativas de sobrevivência para a humanidade.

Conquistar a Lua e criar nela um local de aprendizado espacial vai ser importante. Como viver no espaço e enfrentar todos os desafios com a ausência de oxigênio? Como aprender e evoluir todas as frentes de desafios na Lua, antes de pensar em outros planetas? Como colaborar entre países, criar leis, como tecnologia e conhecimento para a humanidade dar um passo adiante? Da mesma forma que, anos atrás, houve um desafio de colonização dentro da Terra, agora estamos falando de uma escala infinitamente mais complexa, mas que também exige acordos internacionais claros e pacíficos. Eles precisam de pessoas inteligentes nesse processo de evolução espacial. Talento foi uma pauta citada, pois as pessoas são a chave dessa visão toda. E pessoas ao redor do mundo, e não apenas norte-americanos — por isso, a batida de cooperação espacial. Esse olhar vale também para parceiros privados.

Mercedes-Benz é uma empresa de tecnologia
A Mercedes fez uma grande apresentação e mostrou ao mundo que está entrando forte no conceito de embarcar nas soluções de software dentro de seus carros. E, com isso, supostamente deixar de usar terceiros no processo. A indústria automobilística inicia a migração para um ramo de tecnologia. O carro deixa de ser apenas uma “carcaça”. A Mercedes deu um grande passo para essa visão tecnológica. Apresentou o conceito de MBOS (Sistema Operacional da Mercedes Benz), que estará presente em seus veículos. O foco da companhia começa a ter esse olhar “mágico”, segundo eles mesmos citaram, em que as integrações e os novos negócios se materializam graças às integrações de software dentro do automóvel. A Mercedes está se colocando como líder nesse movimento de digitalização do carro.

O mundo está se transformando. E está tudo muito ativo e evoluído. As pautas da Web Summit estarão presentes no dia a dia e serão transformadoras nos próximos anos. As próximas gerações não entenderão como vivíamos sem essas mudanças estruturais de sustentabilidade, transparência de informações, segurança logística e interações de celulares com seus usuários e desejos de consumo.

*Head of Project Management da BriviaDez

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