Completar vinte anos de atuação social contínua é uma conquista que poucas organizações do terceiro setor alcançam. A maioria dos projetos filantrópicos no Brasil não sobrevive à primeira década: são descontinuados por falta de recursos, por mudanças nas prioridades de seus fundadores ou simplesmente porque foram criados sem a estrutura necessária para se sustentar no tempo. A Fundação Gentil Afonso Duraes, idealizada por Eloizo Gomes Afonso Duraes, trilhou um caminho diferente, e analisar essa trajetória revela lições valiosas sobre o que é necessário para construir algo que dure.
O que sustenta um projeto por duas décadas
A longevidade da Fundação Gentil não é produto da sorte ou de circunstâncias favoráveis. É resultado de escolhas consistentes que Eloizio Gomes Afonso Duraes fez repetidamente ao longo de vinte anos. A primeira delas foi a decisão de formalizar a entidade desde o início, conferindo-lhe estrutura jurídica e identidade institucional que vão muito além da boa vontade de um fundador. A segunda foi a disposição de crescer de forma responsável, expandindo as atividades apenas quando havia capacidade real de sustentá-las com qualidade.
A terceira, e talvez a mais importante, foi a de nunca perder de vista as pessoas atendidas como o centro de tudo. Em organizações que crescem e se profissionalizam, há sempre o risco de que a institucionalização afaste a entidade das comunidades que ela serve, transformando o que era um projeto humano em uma burocracia autorreferente. Eloizo Gomes Afonso Duraes resistiu a esse risco mantendo o foco nos resultados concretos para as famílias atendidas.

Uma trajetória de evolução constante
De setembro de 2003, com as primeiras aulas de informática para crianças da vizinhança, até a reformulação de 2019, que transformou a Fundação numa Organização Social com estrutura de governança mais robusta, a trajetória da entidade é marcada por uma evolução constante e intencional. Cada passo foi dado no momento certo: a formalização quando havia substância suficiente para justificá-la, a expansão quando o modelo havia sido suficientemente testado, a reformulação quando a escala alcançada exigia uma arquitetura institucional mais complexa.
Essa capacidade de evoluir sem perder a identidade é uma das marcas mais distintivas da liderança de Eloizio Gomes Afonso Duraes no campo social. É fácil crescer quando as condições são favoráveis. O difícil é crescer mantendo a qualidade, a coerência e o comprometimento com os valores originais que tornaram o projeto relevante.
O legado que já existe
Independentemente do que o futuro reserva para a Fundação Gentil, o que já foi construído constitui um legado significativo e mensurável. Centenas de crianças atendidas ao longo de duas décadas. Programas de reforço escolar, inclusão digital, atividades culturais, assistência alimentar e saúde bucal funcionando de forma integrada. Presença consolidada em quatro estados brasileiros. Uma reformulação institucional bem-sucedida que preparou a entidade para um novo ciclo de crescimento.
Para Eloizo Gomes Afonso Duraes, esse legado não é um ponto de chegada. É a base sobre a qual os próximos vinte anos serão construídos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
