Impulsionado por vídeo online, redes sociais e inteligência artificial, o mercado brasileiro de publicidade digital mantém ritmo acelerado e se destaca como referência de crescimento na América Latina.
O Brasil ocupa um lugar de destaque que muita gente ainda não dimensiona corretamente: o país é o sétimo maior mercado de publicidade digital do mundo e responde por cerca de 45% de todo o investimento digital da América Latina. Esses números vêm de um levantamento do IAB Brasil, que apontou um investimento de R$ 22,7 bilhões em publicidade digital em 2024, crescimento de 14,3% sobre 2023. A projeção para 2026 chega a R$ 27,8 bilhões, alta de 22% sobre os dois anos anteriores
Para se ter a dimensão desse crescimento: mercados maduros como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha projetam expansões entre 7% e 9% no mesmo período. O Brasil avança mais rápido que todos eles, ficando atrás apenas de mercados emergentes como Índia e Indonésia.
Parte desse crescimento vem de uma característica peculiar do consumidor brasileiro: o país investe mais em redes sociais do que em mecanismos de busca, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa. Segundo o IAB Brasil, os canais sociais como Meta, TikTok e LinkedIn responderam por 36% do total, equivalente a R$ 8,2 bilhões em 2024.
Marketing digital passa por redefinição de prioridades
As tendências que moldam o setor em 2026 apontam para uma mudança de mentalidade mais profunda do que qualquer ferramenta nova poderia causar. O Marketing digital deixou de ser sobre atrair visitantes. A pressão agora é para que cada ação prove impacto direto na margem de lucro, e não apenas em métricas de engajamento.
A pesquisa da Kantar apontou que 61% dos profissionais de marketing planejam aumentar o investimento em criadores de conteúdo em 2026, mas apenas 27% do conteúdo produzido por creators tem forte ligação com a marca. Esse descompasso é um dos principais pontos de atenção do setor: alcance sem conexão não converte.
O WhatsApp Business API cresceu 67% em adoção por empresas brasileiras em 2024, segundo os dados consolidados do mercado. Fluxos de atendimento e vendas via WhatsApp com automação inteligente são hoje o canal de maior crescimento no país. A combinação de marketing conversacional e dados próprios, em um ambiente em que os cookies de terceiros perderam relevância, passou de diferencial a necessidade básica de operação.
Dados próprios e IA redefinem o jogo competitivo
Segundo a Gartner, 80% das equipes de marketing usam IA generativa para algum aspecto da produção de conteúdo em 2026. O desafio que acompanha esse número é manter diferenciação em um ambiente saturado por conteúdo produzido em escala sem personalidade.
A resposta do mercado está na combinação de criatividade humana com execução em escala pela IA. Como resumiu a CMO Global da Nestlé, confiança passou a ser a palavra-chave de qualquer projeto, campanha ou ação, para que marcas criem conexões significativas com consumidores cada vez mais céticos e exigentes.
Para os profissionais e empresas que operam no Brasil, a mensagem prática é direta: quem investir em construir e organizar dados próprios, integrar marketing e vendas em torno de objetivos comuns e usar a IA como infraestrutura e não como substituto da estratégia sairá na frente em um mercado que cresce rápido, mas exige cada vez mais consistência.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
