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Brasil

TSE regula propaganda eleitoral digital com exigências sobre inteligência artificial para as eleições de 2026

Por Claire Delvaux 23 de junho de 2026 5 Min de leitura
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TSE regula propaganda eleitoral digital com exigências sobre inteligência artificial para as eleições de 2026
TSE regula propaganda eleitoral digital com exigências sobre inteligência artificial para as eleições de 2026

Nova regulamentação estabelece regras para o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais, reforça a transparência digital e busca combater a desinformação nas eleições de 2026.

A corrida eleitoral de 2026 já começou muito antes dos palanques. Com a propaganda eleitoral oficial prevista para ter início em 16 de agosto, partidos, pré-candidatos e equipes de comunicação estão se adaptando a um conjunto de novas regras que chegam com força para mudar o modo como a política acontece nas telas.

Contents
Nova regulamentação estabelece regras para o uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais, reforça a transparência digital e busca combater a desinformação nas eleições de 2026.O que muda na prática para as campanhasRedes sociais: cada plataforma com seu papel

A principal novidade vem do Tribunal Superior Eleitoral, que aprovou a Resolução 23.755/26 para atualizar as normas que disciplinam a propaganda na internet. A mudança mais significativa diz respeito ao uso de inteligência artificial: conteúdos criados ou editados por IA precisam ser identificados de forma clara para o eleitor. Não se trata de proibir a tecnologia, mas de garantir rastreabilidade e transparência em cada peça que circula nas plataformas.

O que muda na prática para as campanhas

Para as equipes de comunicação política, a nova legislação amplia o escopo do que é analisado em uma campanha digital. Antes, a pergunta central era simples: a publicação configura propaganda eleitoral regular ou irregular? Agora, a análise avança para questões técnicas: quem produziu o conteúdo, como foi contratado o impulsionamento, quais plataformas foram usadas e se houve uso de IA na geração de imagens, vídeos ou textos.

Isso, na prática, cria o que especialistas chamam de compliance eleitoral tecnológico. Campanhas precisarão guardar arquivos originais, contratos com fornecedores, registros de aprovação de peças e declarações de uso de IA. O objetivo é simples: quem publica, impulsiona ou se beneficia de um conteúdo tecnológico precisa estar preparado para explicar e provar a origem daquilo que colocou em circulação.

O impulsionamento pago nas redes sociais e mecanismos de busca segue autorizado durante o período oficial, desde que devidamente identificado. Os anúncios pagos devem conter o rótulo “Propaganda Eleitoral” e os valores investidos precisam ser declarados à Justiça Eleitoral. Outro ponto que permanece proibido é o disparo em massa de mensagens por aplicativos de mensagens, prática que continua sendo alvo de fiscalização.

Redes sociais: cada plataforma com seu papel

A eleição de 2026 é a primeira em que o TikTok se consolida como um canal de peso para alcance orgânico entre eleitores jovens. Um único vídeo bem produzido pode chegar a milhões de pessoas sem investimento em mídia paga, mas a plataforma exige autenticidade. Conteúdo institucional e ensaiado perde força ali.

O Instagram e o Facebook funcionam mais como canais de aprofundamento: o eleitor que se interessou por um Reel tende a buscar mais informações sobre propostas e trajetória do candidato. Já o WhatsApp continua sendo a ferramenta de conversão por excelência, convertendo interessados em apoiadores ativos, desde que respeitados os limites contra disparos automatizados.

O YouTube, por sua vez, opera como repositório de credibilidade. Vídeos mais longos e detalhados têm vida útil maior e funcionam como referência para eleitores que querem conhecer melhor um candidato antes de tomar uma decisão. A combinação inteligente entre esses canais, e não a presença em todos ao mesmo tempo, é o que distingue campanhas eficientes das dispersas.

Segundo o Jornal do Brás, o investimento em mídia digital no Brasil chegou a R$ 42,7 bilhões em 2025, alta de 12,7% sobre o ano anterior, mas campanhas eleitorais descobriram que a panfletagem física e o contato territorial ainda têm papel relevante na comunicação política, especialmente em bairros e regiões de grande fluxo. A disputa pelo voto em 2026 acontece no celular, mas também nas ruas.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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