Partido de Baleia Rossi não lançará candidato ao Planalto e deixa diretórios estaduais livres para escolher seus próprios palanques.
O Movimento Democrático Brasileiro decidiu, em convenção nacional realizada de forma virtual na última segunda-feira (27), que não vai lançar candidato à Presidência da República nem firmar coligações nacionais nas eleições deste ano. A decisão chama atenção justamente por partir de uma das maiores legendas do país em número de prefeitos e cargos legislativos, e levanta uma dúvida direta para o eleitor: sem um nome do partido na disputa, para quem vai o apoio do MDB em cada estado? A resposta, segundo a própria sigla, varia conforme a realidade local, o que deve gerar cenários distintos de aliança pelo Brasil afora.
Por que o MDB optou por ficar de fora da corrida
A decisão foi tomada durante a convenção nacional do partido, no mesmo formato virtual já usado nas eleições de 2022. Segundo o presidente nacional da legenda, deputado federal Baleia Rossi, a liberação nacional tem como objetivo evitar rachas internos, já que o MDB reúne grupos políticos com projetos diferentes espalhados pelo país. Em nota divulgada pelo partido, Rossi afirmou que a medida “acaba unindo e pacificando” a sigla, permitindo que cada estado busque o resultado mais vantajoso nas eleições regionais, segundo reportagem do ND+.
Com a decisão, os diretórios estaduais ganham liberdade total para fechar acordos com qualquer candidato ao Palácio do Planalto, sem precisar seguir uma orientação única vinda de Brasília. A prioridade declarada pelo partido é concentrar esforços na eleição de governadores, senadores e deputados, tanto estaduais quanto federais, fortalecendo a bancada do MDB no Congresso Nacional. Essa fragmentação eleitoral já era esperada por analistas políticos, dado que o partido não conseguiu construir consenso em torno de um nome próprio nem de um apoio nacional unificado a outra candidatura.
O que muda para o eleitor nos diferentes estados
Na prática, o eleitor vai perceber o MDB em posições distintas dependendo de onde mora. Em alguns estados do Nordeste e do Norte, parte da legenda deve apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto em outras unidades da federação o partido tende a se aproximar de nomes ligados à oposição, conforme apurou o Jornal de Brasília. Essa divisão reflete a própria composição interna do MDB, que reúne lideranças com históricos e alianças muito diferentes entre si.
A decisão também chegou depois de conversas entre integrantes do governo federal e o MDB sobre a possibilidade de a legenda indicar o vice na chapa de Lula, algo que não avançou porque o PSB manteve o posto com Geraldo Alckmin. Sem esse acordo nacional, o partido preferiu manter distância da disputa presidencial e concentrar energia nas eleições estaduais, onde já tem base consolidada em vários governos, de acordo com a Rede98.
Vale lembrar que, na eleição presidencial anterior, o MDB chegou a lançar a então senadora Simone Tebet, hoje filiada ao PSB. A ausência de um nome equivalente para 2026 reforça a leitura de que o partido prefere, por ora, negociar espaço de poder nos estados a arriscar uma candidatura nacional sem força eleitoral comprovada. O calendário de convenções segue nas próximas semanas, com PCdoB, PSTU, PV, PCO, PT e PSB definindo suas estratégias até o início de agosto.
