Comitê aprovou a manutenção por 9 votos a 3, com dirigentes divergindo sobre o momento certo de reagir à inflação.
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a taxa básica de juros no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano. A decisão já era amplamente esperada pelo mercado financeiro, mas chamou atenção pelo grau de divisão dentro do Comitê Federal de Mercado Aberto, o Fomc, responsável por definir a política monetária americana. Para quem acompanha o cenário econômico global, a pergunta que fica é: por quanto tempo o Fed ainda vai conseguir segurar os juros sem reagir à inflação, que segue pressionada?
Como foi a votação e o que motivou a divisão
A manutenção da taxa foi aprovada por 9 votos a 3, com três dirigentes defendendo abertamente uma alta de 0,25 ponto percentual diante da inflação ainda acima da meta de 2% perseguida pelo banco central americano. Segundo reportagem da revista Forbes, essa foi a primeira vez, desde que Kevin Warsh assumiu a presidência do Fed, que um grupo de dirigentes se posicionou publicamente a favor de um aperto monetário imediato, o que indica que o debate interno deixou de ser sobre se a inflação está elevada e passou a ser sobre quanto tempo ainda é possível esperar para agir, conforme apurado pela Forbes.
Antes do anúncio, o mercado já projetava a manutenção da taxa como cenário mais provável, atribuindo cerca de 66% de chance a esse desfecho segundo a ferramenta CME FedWatch, e o restante das apostas para uma alta de 0,25 ponto. O comunicado oficial do próprio Federal Reserve reforçou que a atividade econômica americana segue se expandindo em ritmo sólido, mesmo em meio à incerteza gerada pelo conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os preços de energia, segundo nota divulgada pelo Federal Reserve.
Impacto da decisão para o Brasil e para os próximos meses
Decisões do Fed costumam influenciar diretamente o câmbio e o fluxo de capital para mercados emergentes como o brasileiro, já que juros mais altos nos Estados Unidos tendem a atrair investimentos para ativos americanos, considerados mais seguros. Com a manutenção da taxa, o cenário para o real e para a bolsa brasileira deve seguir relativamente estável no curto prazo, embora o mercado continue monitorando de perto qualquer sinal de mudança de postura do banco central americano. A próxima reunião do Fomc está marcada para setembro, quando o comitê deve voltar a discutir se a inflação segue justificando a manutenção dos juros ou se será necessário agir.
O aumento da pressão inflacionária também está ligado à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, que já ultrapassa 150 dias e tem afetado diretamente os preços globais de energia. Esse fator tem sido citado repetidamente pelos próprios dirigentes do Fed como um dos principais riscos para a trajetória de queda da inflação nos próximos meses, o que ajuda a explicar por que parte do comitê já defende uma reação mais rápida por meio da elevação dos juros.
